Pesquisadores da UFV instalam ponto de monitoramento climático no Ártico

A pesquisa busca melhorar a previsão sobre os impactos do aquecimento global e entender como os solos podem reagir às emissões de gases

Pesquisadores da UFV instalam ponto de monitoramento climático no Ártico
Divulgação/UFV

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) instalaram o segundo sítio de monitoramento da temperatura e umidade do solo no Ártico, região polar no extremo norte do planeta. A expedição foi realizada pelos professores Márcio Francelino e Carlos Schaefer e pelo mestrando Alex Pinheiro, do Departamento de Solos.

Há mais de 20 anos, a UFV participa do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), com viagens anuais à Antártica, onde já foram instalados 33 pontos de monitoramento, além de outros oito na Cordilheira dos Andes. Essa rede compõe atualmente o maior sistema mundial de observação do permafrost (solo permanentemente congelado) em regiões de alta montanha e na Antártica Marítima.

Na Groenlândia, os pesquisadores trabalharam na Geleira Russell, vinculada ao segundo maior manto de gelo do planeta e considerada estratégica para acompanhar mudanças ambientais no Ártico. Durante a expedição, também foram realizadas a manutenção e o aprimoramento de um sítio já existente, que mede temperatura, umidade e concentração de dióxido de carbono no solo. O material coletado será usado em estudos comparativos entre ambientes polares.

Segundo o professor Márcio Francelino, os dados já obtidos em diferentes regiões da Antártica e dos Andes permitiram mapear e quantificar estoques de carbono orgânico do solo em várias profundidades. Os resultados mostram comportamentos distintos entre os polos: no Norte, há maior emissão de carbono dos solos para a atmosfera; no Sul, o degelo do permafrost libera menos CO2 e pode até reter parte do gás.

A pesquisa busca aprimorar modelos de previsão sobre os impactos do aquecimento global e compreender o papel dos solos na mitigação das emissões. “Oceanos, solos e florestas são naturalmente considerados sumidouros de carbono, uma vez que são capazes de armazenar o gás capturado, compensando riscos climáticos”, explica Francelino.