A falta que o Gil faz

Por Dionísio Ladeira

A falta que o Gil faz

Ficamos sem o nosso Gil. A alegria sempre presente no bom papo, nas excelentes histórias, nas perfeitas imitações. Não obstante as ressalvas dos amigos...

Pe. Mendes vivia gozando:
– Do que Gilberto fala, 90% é mentira; 10% você tem de pôr em dúvida...

E Zeca se defendia das gozações:
– Quando o Gilberto fala alguma coisa, a gente tem de olhar a orelha dele: se balançar, é verdade.

E o Írio, incrédulo após ouvir o longo grito de gol:
– Só acredito depois que o Tony Araújo confirmar...

  1. Imita Pe. Mendes no início do Sermão do Encontro, no púlpito improvisado:
    – Sob o magnífico luar desta noite, do alto da saca do Zé Dedeco, vejo milhares de cabeças formulando um só pensamento!
    E conferindo o céu ameaçador, sai do "script":
    – Vem, Chico Salamargo, vem aproximando. Vem aproximando rápido, que lá vem chuva!

  2. Zeca tinha o Gil como companheiro inseparável:
    – Ó Gilberto, você conhece o dono daquele botequim onde nós paramos na Conceição?
    – Conheço, Zeca.
    – Ele é nosso ou é contra nós?
    – É nosso, Zeca.
    – Sujeito bão, né, Gilberto?

E prosseguia:
– Ó Gilberto, e o dono daquela mercearia ali no Pau de Paina, onde nós paramos. Você conhece ele?
– Conheço, Zeca.
– Ele é nosso ou é contra nós?
– É contra nós, Zeca.
– Sujeito vagabundo, né, Gilberto?

  1. Irradiando um Cruzeiro x Vasco debaixo de chuva, num jogo em que Joãozinho não estava em campo:
    – Lá vai Joãozinho pela ponta esquerda, levantando poeira no Mineirão...

  2. Síntese de uma Viçosa que não volta mais: Zé Adelmo, que depois vai brilhar no futebol de Taubaté – onde havia uma velhinha famosa –, parece lembrar o pai dos anos 50 e come um frangaço numa das preliminares do Carlos Barbosa.
    E o Gil, no ar:
    – Ó Maria! Vem ver o frango que o nosso filho acaba de engolir aqui no Barbosinha...

  3. Pois é... Que falar? Que fazer? Só rir?
    Fica para nós o título do programa que Gilberto Pinheiro manteve na Montanhesa, à noite, por décadas e mais décadas...
    "Em cada coração, uma saudade..."

 

Publicado na edição 2.057 de 25/07/2008