Viçosa Tem Metade das Equipes de Atenção Primária Recomendadas, Diz Pesquisa em Audiência Pública
A Saúde em Viçosa é debatida na Câmara. Denúncias, filas de espera e falta de 20 equipes de Atenção Primária (APS) são expostos em audiência pública.
Na última semana, a Câmara de Viçosa realizou uma Audiência Pública para discutir a situação da Atenção Primária à Saúde (APS) no município e avaliar propostas para aprimorar o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde. A iniciativa foi conduzida pela vereadora Maria Prisca (PT) e teve como objetivo esclarecer denúncias apresentadas por profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), além de construir encaminhamentos capazes de fortalecer a política pública de saúde de Viçosa.
Compuseram a Mesa Diretora a secretária-adjunta de Saúde, Vanessa Amaral; a médica da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Mirian Santana Barbosa; o enfermeiro e pesquisador da UFV, Tiago Ricardo Moreira; o médico da UFV, Marcelo Siqueira; o enfermeiro Marcos Antônio Garcia; e a coordenadora da Atenção Primária, Viviana Moura. O vereador Omar Gilson (UNIÃO) também participou do debate.
O encontro foi motivado por uma série de denúncias envolvendo dificuldades na solicitação de exames, devolução automática de pedidos pela regulação, cotas insuficientes de ultrassonografias, atrasos expressivos nas filas de espera, baixa resolutividade das equipes e precarização dos vínculos profissionais.
Durante a audiência, o enfermeiro Tiago Moreira apresentou dados compilados a partir de sistemas oficiais do Ministério da Saúde e de levantamentos realizados junto aos trabalhadores das unidades. De acordo com o pesquisador, Viçosa conta hoje com 20 equipes de Atenção Primária, quando o recomendado, considerando a população estimada, seria pelo menos o dobro. Para Tiago, a baixa resolução da APS tem impacto direto nas internações hospitalares, já que cerca de 30% delas poderiam ser evitadas com um atendimento básico estruturado, contínuo e territorializado.
A médica da UFV, Mirian Santana Barbosa, enfatizou que a falta de profissionais especializados é uma das principais dificuldades enfrentadas pelo município. A médica defendeu que futuros processos seletivos e concursos públicos priorizem profissionais qualificados, valorizando a especialização e a atuação na APS.
Os relatos dos usuários reforçaram a gravidade do cenário. Moradores relataram perda de exames, cobranças indevidas, atrasos em análises laboratoriais e dificuldade para obter retorno clínico. Nesse sentido, a secretária-adjunta de Saúde, Vanessa Amaral, reconheceu os problemas apresentados e afirmou que a Prefeitura está trabalhando para corrigir as distorções.



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