Pele protegida, bolso protegido: entenda o que é o fator de proteção solar (FPS)
Os efeitos da radiação solar sobre a pele são variados e incluem benefícios, como a produção de vitamina D, mas também danos importantes, como manchas, envelhecimento precoce e maior risco de câncer. Nossa pele possui um pigmento chamado melanina, que oferece alguma proteção natural, especialmente contra as radiações ultravioleta A e B (UVA e UVB), mas essa proteção é limitada.
Por isso, recomenda-se o uso diário de protetores solares, sobretudo em períodos de maior exposição, como férias, atividades ao ar livre, praia ou piscina. Ainda assim, muitas pessoas deixam de usar proteção no dia a dia, embora os danos causados pela radiação se acumulem ao longo da vida, mesmo em exposições breves ou indiretas (por exemplo: caminhar na sombra, permanecer próximo a janelas ou expor-se à luz de telas).
Há grande variedade de protetores solares no mercado, com preços que variam de acordo com a marca e o fator de proteção solar (FPS). Os produtos mais comuns apresentam FPS 30, 50, 60, 70 ou 95. Em conversas informais com diferentes pessoas, incluindo universitários, a maioria afirmou preferir produtos com FPS 60. Quando questionados sobre por que não optavam pelo FPS 30 — normalmente mais barato — a resposta recorrente era simples: “me sinto mais protegido”. Muitos associam FPS 60 ao dobro da proteção do FPS 30, o que não corresponde à realidade.
Mas afinal, o que significa o FPS? Tecnicamente, o FPS é a razão entre a dose de radiação mínima necessária para causar vermelhidão (eritema) na pele protegida e a dose necessária para causar o mesmo efeito na pele sem proteção, medida em condições controladas de laboratório. Para fins educativos, costuma-se explicar que o FPS indica a fração aproximada da radiação UV que atravessa o produto.
Assim, com FPS 30, cerca de 3,3% da radiação chega à pele (pois 100 ÷ 30 ≈ 3,3%); com FPS 60, apenas 1,7%. Ou seja, ao trocar FPS 30 por FPS 60, o aumento real de proteção é de apenas 1,6%. Mesmo FPS muito elevados acrescentam apenas poucos pontos percentuais adicionais de bloqueio da radiação.
Para ilustrar, imagine alguém passando duas semanas de férias tomando cerca de 8 horas de sol por dia — um total de 112 horas de exposição. Usando corretamente um protetor solar com FPS 30, que bloqueia aproximadamente 96,7% da radiação, a pele receberia apenas cerca de 4 horas equivalentes de radiação direta durante todo esse período.
Essa comparação simplificada ajuda a entender que a proteção oferecida pelo FPS 30 já é bastante significativa. O que realmente faz diferença na eficácia é aplicar a quantidade adequada de protetor e reaplicar a cada duas horas, especialmente após suar ou entrar na água.
Um levantamento recente mostra que aproximadamente 66% dos brasileiros não usam protetor solar diariamente. O motivo mais citado é o custo elevado, enquanto cerca de um quinto afirma não perceber necessidade no uso cotidiano.
Diante desses dados, compreender o significado do FPS ajuda na escolha do melhor custo-benefício: produtos com FPS muito altos custam mais, mas não oferecem proteção proporcional ao aumento de preço.
Em situações específicas — como histórico de doenças de pele, sensibilidade aumentada ou uso de medicamentos que elevam a fotossensibilidade — a orientação de um dermatologista é fundamental para definir o protetor mais adequado.
Mas, se você é saudável e busca equilibrar proteção e custo, saiba que um bom FPS 30, aplicado corretamente, já oferece excelente proteção para o dia a dia.
No próximo texto, vou explicar um pouco sobre a natureza das radiações e a composição química dos protetores solares. Aguarde.
Luiz Claudio de Almeida Barbosa, PhD
Prof. Titular de Química – UFMG
E-mail: lcab@outlook.com
Belo Horizonte, 22 de novembro de 2025



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